"Um sinal de paz". Venezuela anuncia libertação de presos estrangeiros

O presidente do Parlamento venezuelano e principal legislador da Venezuela diz que a libertação de um número significativo de presos, incluindo estrangeiros, está já a decorrer no país no que deseja que venha a ser entendido como um sinal de paz. Madrid já saudou a decisão, que abrage cinco cidadãos espanhóis.

RTP /
Foto: Fausto Torrealba - Reuters

As libertações, uma exigência reiterada da oposição do país, são um gesto de paz, disse Jorge Rodríguez, principal legislador da Venezuela, acrescentando que a ação foi unilateral e não acordada com qualquer outro partido.

"O governo bolivariano, juntamente com as instituições do Estado, decidiu libertar um número significativo de indivíduos venezuelanos e estrangeiros, e estes processos de libertação estão a decorrer a partir deste momento", acrescentou Rodríguez.As autoridades da Venezuela anunciaram a libertação de um "número significativo" de presos, tanto venezuelanos como estrangeiros, num processo que já está a decorrer, segundo o presidente do parlamento, Jorge Rodríguez.

Trata-se de "um gesto unilateral para reforçar" a "decisão irredutível de consolidar a paz" no país e "a convivência pacífica", sem distinção de ideologia ou religião, disse Jorge Rodríguez, numa conferência de imprensa em Caracas, sem precisar o número de pessoas que vão ser libertadas.

"Considere-se este gesto do governo bolivariano [da Venezuela], de ampla intenção de procura da paz, como uma contribuição que todos e todas devemos fazer para que a nossa República continue a sua vida pacífica e em busca da prosperidade", acrescentou o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela.
Madrid saúda libertação de 5 espanhóis

O governo de Espanha saudou entretanto a libertação de cinco espanhóis, um deles com dupla nacionalidade. O grupo já se prepara para viajar para Espanha com o apoio da Embaixada em Caracas.

O governo de Madrid transmitiu a sua alegria a estes cidadãos, seus familiares e amigos, tendo o ministro de Assuntos Exteriores, União Europeia e Cooperação, José Manuel Albares, mantido um primeiro contacto com cada um deles.

"Espanha, que mantém relações fraternais com o povo venezuelano, recebe a decisão como um passo positivo na nova etapa em que a Venezuela se encontra", refere o governo espanhol.
Em causa também presos políticos

A ONG Foro Penal, que antes de quinta-feira estimava em 806 o número de prisioneiros políticos na Venezuela, incluindo 175 militares, saudou o que considera uma "boa notícia": "Sabemos que pessoas estão a recuperar a liberdade, incluindo estrangeiros", escreveu no X Alfredo Romero, advogado da organização.

Vários opositores foram presos no final de 2025. Já em setembro um grupo de peritos da ONU havia denunciado um endurecimento da perseguição por motivos políticos na Venezuela.

As contestações à proclamação da vitória de Nicolás Maduro nas Presidenciais de 2024 levaram à detenção de 2.400 pessoas. Mais de 2.000 seriam depois libertadas, segundo os números oficiais.

No final de dezembro, pelo menos 99 pessoas foram libertadas, seguidas de outras 87 no Ano Novo.

c/ agências
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